Mostrando postagens com marcador MAE. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador MAE. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 7 de julho de 2009

Praça dos Museus: um projeto para a Prefeitura e o Governo do Estado

Continuo hoje a discussão de ontem sobre o papel da Praça dos Museus na ampliação do potencial turístico de São Paulo e sua vinculação com a Copa 2014.
Este projeto da Praça dos Museus na região da Nova Luz que aqui apresento, se executado, exige uma profunda integração entre o governo do Estado e a Prefeitura. Por quê?

Há uma questão de logística importante a ser equacionada para a construção da Praça dos Museus, em especial no tocante aos terrenos e à urbanização do local - e é neste ponto que entra a participação do governo municipal. Por um lado, o terreno que propusemos para a construção da nova sede para o MAE já está inserido na área delimitada do projeto "Nova Luz" e, portanto sua desapropriação deixa de ser um grande problema jurídico. Ou seja, seria uma transferência de terreno municipal para autarquia estadual.

Por outro lado, os terrenos ao lado da Estação Julio Prestes, nos quais propusemos a construção do Museu de História Natural, estão fora da área da Nova Luz. O Governo do Estado poderia declará-los de utilidade pública, mas seria uma excelente contribuição da Prefeitura ao orçamento geral da obra e uma facilidade logística inserí-los na "Nova Luz", pois todo o trâmite jurídico já decorreu.

Já o Governo do Estado, responsável pela USP - de quem são todas as instituições propostas para a Praça dos Museus - teria como incumbência incluir em seu orçamento os recursos para a construção dos novos edifícios (recursos extraordinários, tendo em vista que o orçamento anual da USP não comporta um aporte tão grande de dinheiro). Para essas obras, poderiam e deveriam também contar com aportes da iniciativa privada através da Lei Rouanet.

Resumindo a questão: a construção da Praça dos Museus não é algo exatamente simples na questão logística, mas também é bastante viável na questão financeira, bastando apenas o interesse político na questão.

Quem ficaria responsável por o quê?

Prefeitura - declarar os terrenos como de utilidade pública e repassá-los ao patrimônio da USP
Governo do Estado - construir os novos edifícios para os museus de sua maior Universidade
Iniciativa privada - contribuir com recursos para a construção dos prédios, ampliação e adaptação dos acervos a partir das leis de incentivo à cultura.

sábado, 20 de junho de 2009

O MAE na Praça dos Museus

O Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) é um dos museus mais visitados da USP. Seu acervo está focado na cultura material (vestígios, arqueológicos ou não) dos povos indígenas das Américas, de nativos de outros continentes, e muitos objetos provenientes das assim chamadas "culturas clássicas", aquelas que estudamos nas aulas de História Antiga na escola, egípcios, persas, gregos, romanos, etc.

O museu é super bem organizado, as exposições muito boas, mas todos que lá chegam (de ônibus ou carro, e depois muitas vezes de atravessar o insano trânsito paulistano) se decepcionam com o tamanho do prédio. Fica evidente para todo mundo que muito mais gente poderia conhecer seu acervo se ele ficasse em local mais bem localizado, e que seu acervo merece um local muito maior para ser exposto. As coleções de arte indígena do MAE, por exemplo, ajudam a desconstruir aquela imagem errônea que se tem dos indígenas brasileiros como "atrasados", "ignorantes", etc.

Abaixo, imagem de satélite com a localização do MAE e as formas mais "fáceis" de acessá-lo: de carro pela Marginal Pinheiros + Portão 2 da USP; ou pela CPTM, estação Villa-Lobos - Jaguaré + ônibus.



Os museus de exposição de objetos de outros povos tem a mesma origem dos museus de história natural, isto é, a exposição dos troféus das conquistas imperiais. Mundo afora há imensa polêmica sobre a destinação atual dos objetos atualmente guardados pelos museus europeus, resultado dos saques dos séculos XVIII a XX.

Um fato importante é que hoje em dia o propósito expositor-vitorioso desses museus está sendo revisto, com um enfoque crescente na pesquisa e na visão crítica da coleta desses materiais (o que não significa um movimento de devolução aos locais de origem). Um caso sintomático é o que aconteceu na França, onde as exposições no "Museu do Homem" eram tradicionalmente eurocentristas e marcadas pelo bizarro, mas foram substituídas pela construção do impressionante (enquanto museu, arquitetura e concepção educacional) Museu Quai Brainly, em Paris. Grande, mas não apinhado de objetos, ele se propõe a apresentar e discutir os povos extra-europeus. Vale a pena a visita e a inspiração.

A ideia de levar o MAE à região da Luz, incorporá-lo à Praça dos Museus, fecha o ciclo de grandes museus tradiconais das cidades mundo afora e que geralmente estão reunidos em uma região museológica-turística, aqui idealizada na Luz/Julio Prestes. Como já dito, com o Museu da Língua Portuguesa e o Museu de História Natural, o MAE fecha o ciclo de museus "educativos", complementado pelos museus "artísticos": Pinacoteca, Estação Pinacoteca e Museu de Arte Sacra. Quem sabe essa ideia vai para a frente?!

Abaixo, coloco três imagens externas, uma do Quai Brainly, Paris, com arquitetura pós-moderna, outra do Museu Metropolitan, de Nova York, do século XX, e a última do Museu Britânico, Londres, com sua arquitetura do século XIX, ambos os maiores depositários de objetos "dos outros povos".

Quai Brainly (Paris, séc XXI)


Metropolitan Museum (Nova York, séc XX)


British Museum (Londres, séc XIX)