quinta-feira, 19 de novembro de 2009

IPTU 2010 - Cracolândia: lote mais caro que Jardins

A Prefeitura de São Paulo enviou proposta de alteração da Planta Genérica de Valores para definição do IPTU à Câmara Municipal, com índices de reajuste chegando a 40% para imóveis residenciais e 60% para imóveis comerciais.

A região do projeto Nova Luz contará com esse índice máximo de reajuste, prevendo a valorização dos imóveis após a requalificação urbana, antes mesmo desta sair do papel. Para especialistas do mercado e urbanistas, essa medida poderá desestimular ainda mais o invesitmento da iniciativa privada na área, já bastante comprometido.

Leia a reportagem abaixo:

Estadão, 19/11/2009

Diego Zanchetta e Rodrigo Brancatelli

Antes mesmo de a cracolândia realmente merecer o nome de "Nova Luz" e de as transformações urbanas saírem do papel, a Prefeitura já considera as ruas do centro como um dos locais que mais valorizaram em São Paulo nos últimos sete anos. De acordo com a nova listagem de valores dos metros quadrados que consta na revisão da Planta Genérica de Valores (PGV), terrenos em endereços como a Avenida Duque de Caxias e a Rua dos Gusmões valem agora até 20% mais do que diversos locais em bairros de classe média alta, como Moema, Brooklin, Campo Belo e Jardins.

A correção geral da PGV, que não ocorria desde 2002, resultará em um aumento médio de 31% no metro quadrado de toda a capital. Esse é um dos fatores que serão usados para calcular o novo valor venal do imóvel - e, assim, a respectiva taxa do IPTU, que também vai aumentar para mais de 60% dos donos de imóveis paulistanos. Na visão da Prefeitura, a nova PGV também serve de termômetro para avaliar quais são as áreas mais caras da cidade, as mais baratas e as que mais valorizaram nos últimos anos.

Com reajustes na casa dos 70%, a cracolândia chama a atenção pelas disparidades em relação a outros bairros considerados nobres. Enquanto o metro quadrado nas ruas do Campo Belo vale em média R$ 830, na região mais degradada do centro paulistano esse preço varia de R$ 1.300 a R$ 3.100. Outro exemplo da desigualdade: na via onde o governador José Serra (PSDB) tem uma casa, no Alto de Pinheiros, o metro quadrado do terreno custa agora cerca de R$ 900. Enquanto isso, na Alameda Glete, uma das mais abandonadas do centro, o metro quadrado vale R$ 1.000 na nova PGV.

"Isso não tem nenhum fundamento, é uma aberração, vai inviabilizar qualquer mudança ou qualquer empreendimento na cracolândia", diz Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp). "É um tiro no pé. Com esses valores dignos de Moema, ninguém vai querer investir ali, não vão revitalizar coisa alguma no centro. Fica proibitivo, não dá para fazer nada. Imagina pagar R$ 2 mil, R$ 3 mil em terreno na cracolândia. Você vai acabar fazendo apartamentos de R$ 5 mil o metro quadrado. Ninguém vai pagar isso para morar na cracolândia. Aqueles terrenos nunca valeram nada, o que está acontecendo é um processo especulativo sem fundamento. Não saiu nenhum projeto de reurbanização da área, ou seja, não há motivos para valorização."

Os técnicos da Secretaria Municipal de Finanças esperam tributar 2 milhões de m² de novas edificações, que estavam isentas de IPTU. Desde 2003, uma lei criada na gestão Marta Suplicy (PT) isenta de taxas de regularização as novas construções em residências e imóveis comerciais, o que antes era só previsto para habitações de interesse social. À época, a proposta ficou conhecida por isentar o famoso "puxadinho", feito principalmente nos imóveis da periferia. Se for aprovada, a nova PGV prevê tributação sobre essas edificações.

O projeto, apresentado em 2002 no Legislativo pelo vereador e bispo Athílio Francisco (PTB), entrou em vigor no ano seguinte e concedeu anistia para as novas construções em casas e estabelecimentos comerciais com até 150 m² de área construída. O projeto também anistiou as novas construções feitas em templos religiosos. "É justo o governo cobrar essas edificações que estavam anistiadas", considerou o vereador Cláudio Fonseca (PPS).

COLABOROU FELIPE GRANDIN

domingo, 15 de novembro de 2009

Paula Souza vai transferir sua sede para Nova Luz

Nova sede do Centro Paula Souza será o primeiro prédio público construído na Nova Luz; obra irá revitalizar quarteirão entre as ruas Timbiras, Andradas, Aurora e Couto de Magalhães

Fonte: Agência Imprensa Oficial e Centro Paula Souza

A futura sede do Centro Paula Souza - autarquia vinculada à Secretaria de Desenvolvimento, responsável pela administração das Escolas Técnicas (Etecs) e Faculdades de Tecnologia (Fatecs) do Estado - será o primeiro prédio público na Nova Luz, projeto de revitalização da prefeitura da capital e do governo do Estado. A obra tem previsão de entrega até o final de 2010. O empreendimento deverá levar vida nova ao quarteirão das ruas Timbiras, Andradas, Aurora e General Couto de Magalhães, no centro da capital.



"Seremos o primeiro órgão público a mudar para a nova área, colaborando para a sua revitalização", afirma a diretora-superintendente do Centro Paula Souza, Laura Laganá.  

Nos 6.870 m² de área, serão construídos 26,7 mil m² para administração central, centro de capacitação de professores, três auditórios, refeitório, creche, quadra e estacionamento, além de nova escola técnica, a Etec Nova Luz. O projeto é dos arquitetos Pedro Taddei Neto, presidente da Fundação para Pesquisa Ambiental (Fupam) e Francisco Spadoni. A frequência de mais de 2 mil alunos e 600 funcionários nos três períodos do dia deverá ainda atrair novos empreendimentos para a região. 





"Os edifícios ficarão elevados sobre pilotis (colunas que sustentam a construção, deixando vão livre no pavimento térreo) de sete metros acima do piso, formando espaço térreo público, que se funde com a praça do prédio do Poupatempo e se conecta com a Avenida Ipiranga", explica Taddei Neto. O conjunto poderá ser avistado desde a Estação da Luz e da Sala São Paulo. O valor estimado da obra é de R$ 57,7 milhões.

Depois da mudança da instituição, será pedido à prefeitura o fechamento da Rua dos Timbiras, para formar um calçadão na frente do complexo, entre as estações Luz e República do Metrô.
O prédio centenário onde o Centro Paula Souza está hoje, na Praça Coronel Fernando Prestes, é o endereço oficial da instituição desde que foi criada, em 1969. Foi construído em 1890, pelo renomado arquiteto Ramos de Azevedo, para abrigar a Escola Politécnica, e será entregue à Secretaria da Cultura.

  

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Fapesp abre chamada para financiamento à infraestrutura de pesquisa de museus biológicos

A Fapesp lançou no final de outubro edital para financiar a infraestrutura de Pesquisa de Museus, Centros Depositários de Informações e Documentos e de Coleções Biológicas. Em junho do ano passado, já havia sido publicada seleção semelhante, destinada a "apoiar projetos de pesquisa que levem ao aprimoramento e à ampliação das atividades educacionais e de divulgação científica de centros interativos de ciências e museus de ciências".

Este movimento reflete uma preocupação da Fapesp em investir na divulgação, ampliação e conservação das coleções biológicas em museus paulistas. Destaco a seguinte informação noticiada sobre os objetivos dessa chamada: "valorizador da proposta a existência demonstrada de intensa utilização das informações tanto pela sociedade em geral como, em especial, pelos professores de ensino fundamental e médio".

Quem sabe não surge daí uma proposta efetiva para a reunião dos acervos dos museus USPianos em um grande Museu de História Natural na região da Luz - Praça Julio Prestes?! Boas notícias podem estar a caminho...

Leia a notícia abaixo.

Acervos apoiados

29/10/2009
Agência FAPESP – A FAPESP lançou nesta quarta-feira (28/10) Chamada de Propostas de Apoio à Infraestrutura de Pesquisa de Museus, Centros Depositários de Informações e Documentos e de Coleções Biológicas.

As propostas serão selecionadas com base na avaliação de sua relevância para a pesquisa, bem como de sua capacidade de manutenção, ampliação e disponibilização aos pesquisadores dos acervos de que são depositários.

A FAPESP reservou R$ 20 milhões para aplicação no conjunto de projetos a serem selecionados. As solicitações iniciais devem ser encaminhadas até 18 de dezembro de 2009 e o prazo previsto para análise é de aproximadamente 180 dias. O período de vigência do auxílio será de 12 meses.

Serão priorizadas propostas que reflitam concepções inovadoras a respeito das modalidades e meios de armazenamento, organização e disponibilização de acervos – especialmente em se tratando de centros que já tenham se beneficiado de apoio significativo da FAPESP, no âmbito de programas de infraestrutura.
Será considerado elemento valorizador da proposta a existência documentada no centro, a que se vincula a proposta, de disponibilização do material on-line, aumentando a visibilidade nacional e internacional das coleções e acervos existentes no Estado de São Paulo e permitindo um uso mais amplo do acervo e das informações por especialistas do Brasil e do exterior.

Sendo demonstrado o uso do acervo em questão para projetos de pesquisa, será também elemento valorizador da proposta a existência demonstrada de intensa utilização das informações tanto pela sociedade em geral como, em especial, pelos professores de ensino fundamental e médio.

Esta Chamada de Propostas de Apoio à Infraestrutura de Pesquisa comporta três módulos: 1) Apoio à Infraestrutura de Pesquisa de Museus, 2) Apoio à Infraestrutura de Pesquisa de Arquivos e Acervos Documentais; e 3) Apoio à Infraestrutura de Pesquisa de Acervos de Coleções Biológicas.

Infraestrutura de pesquisa
Em 1994 a FAPESP criou o Programa Emergencial de Apoio à Infraestrutura, destinado a apoiar a recuperação e modernização da infraestrutura de pesquisa no Estado de São Paulo. Em suas cinco fases, o programa logrou sanar as carências infraestruturais mais importantes dos grupos produtivos de pesquisadores, dotando-os de condições adequadas ao desenvolvimento de atividades de pesquisa inovadora.

Em 1999, a FAPESP encerrou o programa, uma vez que a situação emergencial que justificara sua criação já havia sido superada. Cabia então conceber canais ordinários e permanentes de aplicação de recursos na manutenção e no aperfeiçoamento contínuos da infraestrutura instalada, entendida essa aplicação como apoio indireto ao desenvolvimento dos projetos de pesquisa avaliados e apoiados pela FAPESP em suas linhas de apoio direto.

Com esse intuito, foram instituídas as Reservas Técnicas associadas aos Auxílios à Pesquisa, Regulares e Temáticos, e às bolsas de pós-graduação, por meio das quais os centros de pesquisa se beneficiam regularmente de auxílio na proporção do número e porte dos projetos apoiados pela FAPESP que neles se realizam.

Além disso, nos últimos 12 anos a FAPESP investiu diretamente mais de R$ 100 milhões na infraestrutura de bibliotecas de instituições de ensino superior e de pesquisa no Estado de São Paulo e no acervo dessas instituições por meio do Programa FAP-Livros.

Há, no entanto, um conjunto de unidades institucionais de que depende essencialmente o bom funcionamento do sistema de pesquisa e cujas necessidades infraestruturais não podem ser convenientemente atendidas por meio dessas reservas técnicas.

Trata-se de unidades cuja missão principal não é a de sediar grupos de pesquisa, mas a de servir de depositários de informações, documentos e coleções biológicas relevantes para o desenvolvimento de projetos baseados fora delas e muitas vezes fora da instituição a que pertencem.

Assim como outros museus, as coleções biológicas têm parte do acervo aberto à consulta pública – seja no local ou por meio de bancos de dados disponibilizados na internet – e outra parte destinada à pesquisa.
Cabe ressaltar que parte do acervo das coleções biológicas é de fundamental importância para o setor produtivo interessado no desenvolvimento tecnológico de moléculas e produtos de espécies nativas, pois é imprescindível que estas estejam devidamente incorporadas ao acervo de coleções e referenciadas em bases de dados. Essa exigência legal se aplica tanto à indústria de fármacos, de cosméticos e de alimentos como à de defensivos agrícolas.

Por conta disso, a Chamada de Propostas de Apoio à Infraestrutura de Pesquisa de Museus, Centros Depositários de Informações e Documentos e de Coleções Biológicas busca atender a tais necessidades, oferecendo apoio à infraestrutura de suporte à pesquisa de museus, arquivos, sedes de bancos de dados e de coleções biológicas.

Mais informações sobre a chamada: www.fapesp.br/materia/5417

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Arquiteto suíço vai mudar a paisagem do centro de São Paulo

Jacques Herzog, do premiado escritório Herzog&De Meuron, fala sobre polêmico projeto do Teatro da Dança

Estadão, 11/11/2009


SÃO PAULO - Famoso pelo projeto do Ninho de Pássaro, mirabolante Estádio Olímpico de Pequim, o escritório de arquitetura suíço Herzog & De Meuron prepara-se para modificar a paisagem de São Paulo com o novíssimo Teatro da Dança de São Paulo, na região da Luz.

Um projeto de 95 mil m² e custo que pode chegar a R$ 400 milhões (só o desenvolvimento do projeto custou R$ 3 milhões ao governo estadual, segundo adiantou o Estado em março deste ano), no epicentro da Cracolândia, o complexo deverá funcionar como uma nova "âncora" de recuperação do centro de São Paulo. A arquitetura é, como disse em entrevista exclusiva ao Estado um dos sócios do escritório, Jacques Herzog, "o maior sinal da vitalidade da energia cultural de um País". Ele e Pierre de Meuron estão entre os mais disputados arquitetos internacionais do momento.



Durante o recente cataclismo financeiro, muitos arquitetos, assim como designers famosos, passaram a ser vistos como profissionais criando brinquedos extravagantes para gente rica, casas faraônicas e condomínios pedantes, projetos para ditadores, símbolos nacionais para países nouveau riche. Que tipo de papel social o sr. acredita que o arquiteto tem?
Arquitetura e urbanismo refletem a realidade de nossas sociedades, hoje e no passado. Arquitetos são muito tentados e geralmente seduzidos por oportunidades oferecidas a eles pelos líderes econômicos e políticos de suas épocas. Aqueles que não usam essas oportunidades para fazer algo mais que exercícios ecléticos e metidos de arquitetura certamente perdem a chance de oferecer contribuições socialmente relevantes. A arquitetura é, idealmente, uma forma de arte pública e só pode cumprir esse papel se investiga e explora todas as oportunidades oferecidas pelos espaços públicos em novos edifícios, os quais vão funcionar e serem aceitos pelo povo.

Após seu escritório ser criticado pela criação do Estádio Olímpico de Pequim, o sr. disse que a obra poderia ajudar no processo de abertura e mudança na China. Agora que faz um ambicioso projeto para São Paulo, cidade com grandes problemas de pobreza e criminalidade, que tipo de mudança acha que seu plano pode propor para os habitantes da cidade?
O Estádio de Pequim tem uma vida pós-Olimpíada muito interessante: está aberto a qualquer pessoa e recebe 30 mil visitantes por dia, mesmo cobrando ingresso. Funciona como um parque e tornou-se um espaço público real em Pequim, o que significa mais para a gente do que a atenção e o sucesso durante os jogos. Agora, nosso projeto para o novo centro cultural de São Paulo tem sido, desde o início, concebido como um espaço público - ou mais precisamente como um tipo de topografia pública, um conjunto de plataformas, ruas, praças e plantas acessíveis a todo mundo.

A arquitetura de São Paulo tem como marca uma caótica fragmentação: neoclássico italiano, modernismo, pós-modernismo, cortinas de vidro como em Chicago. Qual é a sua visão sobre o mélange que é a arquitetura de nossa cidade?
São Paulo é fascinante para todos aqueles que amam as grandes cidades. Nosso fascínio por São Paulo se deve a essa fragmentada e caótica estrutura onde tantas coisas incríveis podem ser descobertas. Estilo não importa, e o que nós amamos é aquilo que você certamente conhece.

A coreógrafa alemã Pina Bausch incluía tudo que a gente vê e sente em uma experiência teatral, viva. Por outro lado, os integrantes da New York School of Music, Painting and Poetry (artistas como Merce Cunningham, Jerome Robbins e Paul Taylor) combinavam e rejeitavam ao mesmo tempo as rivalidades entre dança moderna e clássica, absorvendo aspectos da vida comum, o movimento dos pedestres, o mundo natural e a vida na cidade. Como trabalhar tantas direções distintas da dança moderna em um único edifício? Qual é o maior desafio de projetar um teatro de dança?
Você pode dançar balé clássico em contextos muito contemporâneos e, de outro lado, também pode dançar formatos de dança contemporânea em teatros clássicos. Estamos desenvolvendo um edifício que na verdade não é um edifício isolado no sentido clássico, mas mais uma interseção entre aberto e fechado, público e privado, espaços grandiosos e intimistas nos quais todos juntos vão responder às possíveis necessidades dos usuários envolvidos no plano. Foi projetado para ser atraente - literalmente, para atrair e receber bem todo o povo de São Paulo.

Diferentemente dos seus pares, como Frank Gehry, Daniel Libeskind, Norman Foster, Oscar Niemeyer e Zaha Hadid, vocês não têm uma "assinatura" de estilo. Cada edifício que fazem é diferente do anterior. É uma filosofia deliberada? Por quê?
Quando jovens arquitetos, nós procuramos saber o que a arquitetura poderia ser. Não havia tradições a seguir, o modernismo parecia sem sangue, o pós-modernismo estava no horizonte e nós o odiávamos e não podíamos nos identificar com suas atitudes nostálgicas e ecléticas. Nós víamos a arquitetura muito mais como um caminho experimental e descobrimos diferentes campos que nunca tinham sido explorados antes, não do jeito radical que nós começamos a fazer. O minimalismo que só tinha sido desenvolvido como uma estratégia no mundo da arte; a materialidade da arquitetura; a potencialidade do ornamento como um novo conceito holístico para a arquitetura. Esse processo de investigação foi nos primeiros anos uma estratégia para nos estabelecer no mundo da arquitetura e do urbanismo, e logo nós nos tornamos mais e mais convencidos de que aquele era o caminho que procurávamos, e ainda estamos seguindo nele. Muito naturalmente, o resultado desse processo de pesquisa orientado é uma arquitetura sem um estilo claro. Nós vemos isso como uma vantagem, porque nos liberta de algum jeito de repetir o que já fizemos e deixa as portas abertas.

Seu trabalho para um anexo da Tate Modern, em Londres, é um tanto diferente de tudo, porque não se trata de criar um novo edifício em um novo espaço. É um pouco como a pirâmide do Louvre, um espaço onde já existe outro edifício. Vocês não têm medo de criar uma extensão que possa ser mais atrativa do que o edifício principal?
Se você faz dois edifícios no mesmo núcleo ou adiciona uma peça a um edifício pré-existente, você inevitavelmente vai se deparar com críticas e vozes em favor disso ou daquilo. Nós estamos trabalhando há muito tempo na Tate Modern Extension e mal podemos esperar para vê-la realizada. Estamos convencidos de que ambos os edifícios - o existente e o novo - necessitam um do outro para funcionar e que são fundamentais para a ambição da Tate Modern de ser um dos grandes museus do século 21. Tanto arquitetural quanto curatorialmente, os dois serão muito complementares.

O sr. já imaginou como poderão ser os edifícios do futuro? Pensa em termos de futuro quando desenha novos edifícios?
Nós vivemos agora. Se você pensa em algo mais do que naquilo que você faz agora, ou você pensa em alguém mais do que aquele que você é agora, você está perdido. Fazer um edifício é a mesma coisa. É para o agora, para as pessoas e as necessidades do agora. Se você não presta a maior atenção possível às pessoas e às fontes que você precisa para construir e manter um edifício, sua arquitetura nunca vai funcionar. Nem agora nem em algum ponto do futuro.

Muitos urbanistas acham que o futuro da arquitetura depende de descobrir novas tecnologias, matérias e fontes de energia que promovam uma harmonia com o mundo natural. Vocês desenvolvem alguma pesquisa especial nesse sentido quando estão trabalhando num novo projeto?
Nós não somos cientistas. Mas já existem incríveis ferramentas técnicas disponíveis no mercado para incrementar o consumo de energia e outras fontes. Projetos que geralmente começam com grandes ambições de usar essas ferramentas e, infelizmente, fracassam tão logo os orçamentos começam a sofrer cortes... Arquitetos podem se tornar famosos e ter visibilidade em todo tipo de revistas de celebridades, mas o fato é que nós não temos o poder real de transformar nossa sociedade.

Sempre ouvimos muito sobre sua arquitetura, mas não conheço muito seus pensamentos sobre paisagismo e interiores.
Oh, nós sempre nos mantivemos muito ocupados desenvolvendo móveis, lâmpadas, interiores. Alguns desses itens estão disponíveis no mercado, distribuídos por companhias como Artemide ou Vitra, e alguns talvez a gente distribua e produza pessoalmente num futuro próximo, por meio de uma plataforma na internet. Paisagismo é um campo no qual trabalhamos desde o início - basta ver nossas propostas radicais para Barcelona (1989) ou a Exposição Mundial em Hannover (1992). Concretamente, acabamos de entregar o plano mestre do que será a base da Exposição Mundial em Milão, em 2015. Trabalhamos num grupo pequeno com Stefano Boeri e Ricky Burdett num conceito focado em agricultura e paisagem como elementos dominantes da mostra - deixando de lado o papel tradicional dos pavilhões nacionais individuais.

A arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi, muito respeitada no Brasil e que criou o Masp, na Avenida Paulista, disse uma vez que sua definição de arquitetura era "um homem conectado com os mais urgentes e simples problemas da vida humana, aquilo que na linguagem filosófica se chamava de Lebenswelt, a ‘verdadeira experiência’". O sr. concorda com essa definição?
"Leben" soa bem. A arquitetura molda, expressa e especialmente revela como nós vivemos. Arquitetura é muito psicológica.

domingo, 8 de novembro de 2009

IPTU progressivo passa em 1ª sessão no Legislativo

Estadão, 05/11/2009

Se for sancionada, medida possibilita desapropriação, em 5 anos, de 420.327 imóveis ociosos em São Paulo

Aprovado ontem em primeira discussão na Câmara Municipal, o projeto que permite a implementação do IPTU progressivo em São Paulo permitirá que em cinco anos sejam desapropriados 41.085 imóveis ociosos localizados somente na região central. O dispositivo poderá criar, em cinco anos, taxas de até 15% do tributo sobre o valor venal dos 420.327 imóveis e terrenos da capital que hoje estão sem uso - o que representa 11,8% do total dos 3.554.820 imóveis e terrenos da cidade, segundo estudo da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU).

Para virar lei e entrar em vigor em 2010, porém, o projeto de autoria do vereador José Police Neto (PSDB), líder de governo, precisa passar por nova votação em plenário, com o apoio de 37 dos 55 vereadores, e ser sancionado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM), que adiantou ser favorável à iniciativa.

Segundo reportagem do Estado publicada no domingo, a Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab) já selecionou 58 edifícios ociosos no centro para serem transformados em moradia popular até 2012. Os donos dos imóveis foram encontrados e as dívidas, calculadas - em média, cada prédio deve R$ 100 mil de IPTU.




Previsto pelo Estatuto das Cidades desde 2001, o IPTU progressivo já foi aplicado em Brasília. Urbanistas consideram que o crescimento exponencial do tributo sobre terrenos desocupados é o principal meio de combater a especulação imobiliária numa cidade com poucos espaços vazios, como São Paulo. A desocupação desses terrenos seria uma forma de conseguir espaço para a construção de conjuntos habitacionais, avaliam urbanistas.

Ontem, o projeto contou com o apoio de 46 dos 54 parlamentares presentes na sessão. Mas a votação expressiva, entretanto, só ocorreu após acordo de líderes. Na semana passada, o projeto ficou pendente de votação após a bancada do DEM abandonar o plenário.

"Vamos modificar o projeto com emendas. Não há nenhuma pressa para votar a proposta em segunda discussão", afirmou Milton Leite (DEM), um dos líderes do centrão, formado por DEM, PMDB, PR, PTB e PP. Segundo Leite, o projeto do líder de governo não prevê o IPTU progressivo sobre as Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis) localizadas em áreas de mananciais. "Pelo Plano Diretor de 2002, essas Zeis de mananciais já estão proibidas de serem ocupadas", respondeu Police Neto.

NA PRÁTICA

Se for sancionado pelo prefeito e entrar em vigor no próximo ano, o IPTU progressivo ainda corre risco de não ter efeitos práticos. Isso porque a desapropriação de imóveis ociosos deve ser feita mediante o pagamento de títulos de dívida pública. Mas a capacidade de endividamento do Município está esgotada, segundo a Prefeitura. Nesse caso, a Prefeitura precisaria usar fundos do próprio Tesouro.

Diego Zanchetta

sábado, 7 de novembro de 2009

Na Rua Riachuelo, prédio ocioso deu lugar a moradia

Estadão, 01/11/2009

Antes depredados e inteiramente vazios, alguns espaços no centro da cidade já foram reaproveitados. É o caso do edifício do número 257 da Rua Riachuelo, onde 120 famílias adquiriram apartamentos por meio da Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab). Elas pagam parcelas de cerca de R$ 200 por apartamentos de 26 a 49 metros quadrados - para fazer a reforma, a Prefeitura gastou entre R$ 2 mil e R$ 3 mil o metro quadrado. Há ainda dois prédios antigos reformados pela Cohab no centro, um na Rua Asdrúbal do Nascimento e outro na Rua Senador Feijó.




No entanto, a revitalização generalizada dos edifícios antigos esbarra em inúmeros entraves, que vão desde o alto valor dos investimentos até as dificuldades de aprovação nos órgãos de patrimônio e nos bombeiros - uma vez que as normas de segurança atuais são muito mais exigentes que as da época da construção dos prédios.

Além disso, qualquer prédio residencial precisa ter iluminação natural nas unidades, mas os edifícios comerciais antigos do centro são colados com o vizinho e não possibilitam a entrada de luz pelas laterais. "São detalhes que precisamos estudar e conversar com os órgãos para chegar a um acordo", diz o engenheiro Luiz Ricardo Pereira-Leite, presidente da Cohab.

BRUNO TAVARES e RODRIGO BRANCATELLI

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

São Paulo tem cerca de 400 mil imóveis ociosos

Estadão, 01/11/2009

Estimativa de especialistas é de que pelo menos um quinto das casas e edifícios poderia ser revitalizado

Para os especialistas que sempre defenderam o uso de imóveis ociosos para minorar o problema da falta de moradias na capital paulista, o projeto da Cohab serve no mínimo como uma esperança. A estimativa da própria Prefeitura é que a cidade tem cerca de 400 mil imóveis desocupados, entre casas e edifícios, e pelo menos um quinto poderia ser revitalizado.





"Não é a única solução, até porque nenhuma solução pode ser a única, mas é sim uma contribuição importante para o problema habitacional", diz Fabio Mariz Gonçalves, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e responsável pelo levantamento dos imóveis desocupados no centro. "A questão é que não pode achar que vai ser uma experiência fácil, que é barato e a gestão não vai ter problemas no futuro. Tem de pensar que não é uma ação apenas para resolver o problema da habitação, mas também para tornar a cidade melhor. Quando você volta a utilizar esses prédios, você dá um melhor uso para o centro e traz mais vitalidade para a cidade."

Para promover a reocupação desses espaços, os especialistas também defendem o IPTU progressivo, já usado em Brasília - a proposta combate a especulação imobiliária em São Paulo ao permitir à Prefeitura aumentar em até 15% o imposto dos imóveis ociosos; se um proprietário não conseguir dar uso ao terreno localizado numa Zona Especial de Interesse Social (Zeis) em cinco anos, por exemplo, o governo poderá desapropriar a área, com o pagamento de títulos da dívida pública ao proprietário. O projeto que aciona o IPTU progressivo deveria ter sido votado na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal na quarta-feira, mas a bancada do DEM, partido do prefeito Gilberto Kassab, boicotou a sessão. Não há data para a nova votação.

A arquiteta Nadia Somekh, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie, vê com entusiasmo a iniciativa da Prefeitura. Na avaliação dela, o projeto ajudará a resolver três problemas. O primeiro, explica, é o prejuízo criado pela situação de abandono dos imóveis. "Um prédio vazio numa região tão bem servida de infraestrutura, como o centro, é sempre muito negativo. Isso afeta a produtividade da cidade."

Outro ponto destacado pela arquiteta é o potencial de mistura de classes. Entre os anos 50 e 70, diz ela, a elite migrou dos bairros centrais para empreendimentos imobiliários em outras regiões da cidade. "Ao construir unidades para famílias de baixa renda no centro, você promove mistura de classes, o que é muito importante." Para Nadia, só o poder público tem capacidade de promover essa integração. "Embora o preço dos imóveis no centro seja menor do que em outras áreas valorizadas da cidade, como as Avenidas Paulista e Berrini, eles não são baratos. Só o poder público tem condições de fazer esse investimento. Se deixar para o mercado, a pessoa mais pobre não consegue comprar."

Segundo Nadia, os projetos anteriores para reocupar imóveis ociosos no centro esbarravam em dois entraves: a falta de financiamento e os especuladores, que mantêm prédios fechados de olho na valorização. "Agora, a Prefeitura vai poder contar com dinheiro do Minha Casa, Minha Vida", avalia. "A presença dos especuladores ainda é problema. Grandes grupos imobiliários são donos de até 70% dos imóveis vazios no centro." A arquiteta conclui com um recado: "As pessoas acham que a presença de pobres desvaloriza a região, mas isso é puro preconceito. O que importa é a qualidade do projeto e não a renda dos que viverão ali."



FRASES

Fabio Mariz Gonçalves
Responsável por estudo de imóveis desocupados
"Não é uma ação apenas
para resolver o problema da habitação, mas também
para tornar a cidade melhor. Quando você volta a utilizar
esses prédios, você dá um
melhor uso para o centro"

Nadia Somekh
Professora da Faculdade de Arquitetura da
Universidade Mackenzie
"Um prédio vazio numa
região tão bem servida de infraestrutura, como o centro,
é sempre muito negativo. Isso afeta a produtividade da cidade"

BRUNO TAVARES e RODRIGO BRANCATELLI

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Prefeitura de SP planeja reformar 58 prédios desocupados do centro

A Prefeitura da Capital anunciou um projeto ambicioso para tentar ampliar a ocupação do Centro da cidade com moradias. A ideia é comprar prédios abandonados utilizando a dívida do IPTU, reformá-los e vendê-los pelo sistema da Cohab.

A proposta parece ser interessante, pois mantém a arquitetura da região e atrai mais moradores, movimentando potencialmente a economia local fora dos horários de expediente dos escritórios e comércio da região.

Resta saber se essa ideia sairá do papel ou se será mais uma boa ideia esquecida para o Centro...

-x-

Estadão, 01/11/2009

Andares hoje totalmente ociosos vão dar lugar a apartamentos de R$ 40 mil a R$ 170 mil feitos pela Cohab
Bruno Tavares e Rodrigo Brancatelli

Assim como na época em que o Cineasta Hotel funcionava, até quase dez anos atrás, as xícaras, pratos de porcelana e talheres permanecem expostos ali na sala de café. Estão empoeirados, jogados nas mesas de qualquer jeito, sujos - ainda assim, a louça e toda a decoração da década de 50 do imóvel mantêm de certa forma um pouco do charme que já existiu naquele prédio hoje abandonado na Avenida São João. Decadentes e esquecidos, como grande parte do centro de São Paulo, os quartos do Cineasta podem agora também simbolizar uma nova chance para a região.

O hotel é um dos 58 edifícios ociosos escolhidos pela Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab) para ser transformado em moradia popular até 2012. O endereços foram selecionados com base em estudo inédito da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), feito a pedido da própria Cohab, que descobriu pelo menos 208 prédios desocupados no centro paulistano.

Todos os imóveis foram analisados, os donos encontrados e as dívidas procuradas - em média, cada prédio deve R$ 100 mil de IPTU. Os pesquisadores descobriram ainda que 90 prédios têm comércio no térreo ou o estacionamento alugado, enquanto outros 68 edifícios estão completamente vazios. Com o estudo em mãos, a companhia escolheu agora os 58 edifícios que reúnem as condições para serem desapropriados, reformados, revitalizados e vendidos para a população de baixa renda.

"O grande problema desses prédios é a situação jurídica, pois são dezenas de herdeiros que não se entendem há anos e, por isso, os endereços estão ociosos", diz o engenheiro Luiz Ricardo Pereira-Leite, presidente da Cohab. "E também há toda a dificuldade de adaptar esses prédios antigos para a legislação atual. Em alguns casos, é impossível adaptar. Por isso, queremos fazer a coisa direito, com pé e cabeça. Escolhemos os prédios que podem ser reformados por um preço realista e estamos neste momento levantando as plantas para saber como fazer a adequação."

Os prédios terão de 50 a 280 unidades e a ideia é que cada apartamento custe de R$ 40 mil até R$ 170 mil, atraindo todas as faixas salariais dos 900 mil cadastrados na fila da Cohab. O financiamento será feito por meio do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, que dá subsídio de R$ 52 mil para habitações destinadas a famílias que ganham até dez salários mínimos (R$ 4.650).

DIFICULDADES

Os hotéis ociosos poderão ser os primeiros do plano - tratado como o maior projeto da história da companhia -, justamente por serem mais fáceis de serem revitalizados.

A negociação do Cineasta Hotel, por exemplo, já está em curso. Seus quartos de 35 metros quadrados são praticamente unidades prontas - só corredores serão rearranjados e os banheiros, divididos para dar lugar às cozinhas. Enquanto isso, os outros imóveis serão desapropriados conforme os acordos avançarem. "Hoje, se a gente fizer unidades de 20 metros quadrados, teremos público; se fizermos de 100 metros quadrados, também", diz Pereira-Leite. "São duas as perguntas que estamos nos fazendo: como é possível reverter esse panorama do centro de São Paulo e o que é factível? O que for, faremos."

O presidente da Cohab reconhece que há entraves no projeto, como a dificuldade de adaptar prédios antigos às novas regras de acessibilidade paulistanas. Ele prefere não adiantar o valor máximo que a Prefeitura pretende gastar com as reformas. Mas, quando o assunto é o porte do investimento, Pereira-Leite faz uma ponderação: "Reabilitar um prédio custa mais caro no micro, sem sombra de dúvida. Mas se você colocar na conta a infraestrutura, vale a pena."

(clique sobre o mapa para vê-lo em tamanho maior)



terça-feira, 3 de novembro de 2009

TCM libera edital de concessão para Nova Luz

Estadão, 29/10/2009


O edital do projeto de concessão urbanística da cracolândia, que estava há quase um mês suspenso pelo Tribunal de Contas do Município (TCM), foi liberado no fim da tarde de ontem pelo órgão. O TCM havia questionado diversos pontos do processo, como a documentação exigida para as empresas participantes, os critérios de escolha do vencedor e a exigência de experiência anterior - as empresas brasileiras não são especializadas em urbanização -, entre outros aspectos.


A Prefeitura agora vai republicar o edital e dar 45 dias para os concorrentes enviarem as propostas - segundo o secretário de Desenvolvimento Urbano, Miguel Bucalem, houve apenas a reformulação de alguns detalhes técnicos do texto. Até agora, pelo menos 12 consórcios já demonstraram interesse em disputar a licitação - como há a exigência de "experiência anterior", os escritórios brasileiros tiveram de se unir a empresas estrangeiras.



O consenso entre os especialistas é de que o próprio governo espera que o vencedor seja um consórcio de empresas brasileiras e do exterior, unindo a expertise paulistana com os recursos de uma grife internacional. Quem ganhar a licitação terá de desenhar o projeto da Nova Luz e criar um plano para atrair cerca de 6 mil moradores.

BRUNO TAVARES E RODRIGO BRANCATELLI

domingo, 1 de novembro de 2009

Cracolândia segue bem visível

O Estado de S. Paulo, 29/10/2009

Viciados circulam em grupos e são vistos deitados pelas ruas, trocando cachimbos de crack

Quase três meses após o início da operação conjunta entre agentes de saúde e a Polícia Militar na cracolândia, denominada Ação Integrada Centro Legal, os grupos de viciados ("noias") continuam ocupando as calçadas e ruas na região dos Campos Elísios, no centro de São Paulo. As vias próximas da base montada para servir de apoio aos agentes e aos policiais, no Largo Coração de Jesus, ficam a maior parte do dia e da madrugada cercadas de grupos de noias. Quem anda pelas calçadas de pontos culturais, como a Sala São Paulo, o Cine Marabá e a Pinacoteca do Estado, continua tendo de desviar de crianças e jovens enrolados em cobertores, muitas vezes dividindo o uso do cachimbo.

Na segunda-feira, por volta das 17 horas, mesmo sob uma forte chuva, os grupos de viciados resistiam na frente de cortiços e de hotéis lacrados pela Prefeitura, que agora estão vazios. Na primeira semana de operação, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) e a Prefeitura interditaram 20 prédios - outros dez acabaram emparedados. Os estabelecimentos comerciais e prédios apresentavam diversos problemas de segurança e irregularidades administrativas, incluindo falta de alvarás.

Os agentes de saúde seguem oferecendo tratamento médico gratuito aos usuários de crack. Crianças e adolescentes que aceitam o tratamento estão sendo encaminhados de volta aos familiares ou para abrigos ou conselhos tutelares. Mas 90% dos abordados recusam auxílio, segundo balanço recente divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde. A esperança da secretaria é que, se a droga começar a rarear na região, aumente a procura por ajuda.


O fechamento de 13 hotéis e o cerco policial, com a prisão de 77 pessoas, também não evitaram a circulação dos viciados em grupos na região central, sobretudo nas imediações da Praça da República, do Largo do Arouche e da Avenida São João. Espalhados pelo centro, os noias começaram a circular também pelos bairros de Santa Cecília e Barra Funda. "Nós ficamos o dia inteiro correndo atrás deles, de um lado para o outro. Tem uma hora que cansa esse pega-pega", desabafou um policial militar que atua na região há três meses e pediu para não ter o nome divulgado.

Enquanto isso, o foco da operação conjunta segue na região residencial dos Campos Elísios. Mas a lacração de alguns cortiços tornou a área ainda mais desabitada, o que favorece a presença dos viciados e dificulta o controle policial.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Morar na Nova Luz custará até R$ 170 mil


Para secretário municipal, não existe possibilidade de a área virar 'gueto'

"A conta fecha, sim." O secretário municipal da Habitação, Elton Santa Fé Zacarias, é categórico em afirmar que as reivindicações do setor imobiliário sobre a concessão urbanística da cracolândia são exageradas e até mesmo infundadas. "Já falei com o Secovi e mostrei que a conta fecha, eles conseguem lucrar na Nova Luz", disse. "Ali, mesmo com a legislação das Zeis-3, é possível fazer apartamentos de até R$ 170 mil, não é para família de baixa renda, é família com mais de 6 salários mínimos. Isso não cria gueto nenhum."

Segundo as contas da Prefeitura, nos quase 4 milhões de metros quadrados que poderão receber esse tipo de habitação popular na região central (as Zonas Especiais de Interesse Social, ou Zeis), cabem 600 mil moradores - 364,8 mil com renda de até 6 salários mínimos e 235,9 mil com renda entre 6 e 15 salários mínimos. "Ou seja, não é família pobre, é família que ganha mais de R$ 2.500 e pode pagar mais de R$ 100 mil por um apartamento no centro", diz o secretário. "Dá, sim, para o mercado investir, não há motivo para reclamação", afirmou.

O secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Miguel Bucalem, diz que as Zeis da Nova Luz continuarão onde estão. "Há um projeto urbanístico só para as Zeis, que vai se integrar de forma harmônica com o restante", disse. "Não há nada divorciado." Bucalem disse acreditar que, da forma como foi concebido pela Prefeitura, o projeto de concessão urbanística da Nova Luz conseguirá compatibilizar todos os interesses.

O cronograma traçado pelo Executivo municipal prevê prazo de dez meses para a implementação do projeto - quatro meses para os estudos preliminares de viabilidade econômica e projeto urbanístico; dois meses de comunicação com a sociedade; e quatro meses para a consolidação. BRUNO TAVARES, DIEGO ZANCHETTA e RODRIGO BRANCATELLI

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Mercado imobiliário abandona Nova Luz

Principal vitrine da gestão Gilberto Kassab, o projeto para revitalizar a região da Nova Luz, mais conhecida como cracolândia, no centro de São Paulo, foi abandonado pelo mercado imobiliário. Para as maiores incorporadoras do País, o modelo de concessão urbanística da Nova Luz cria "guetos" de baixa renda dentro de um espaço no qual a mistura entre classe média, moradores de conjuntos habitacionais e comércio deveria ser a fórmula da revitalização. A queda de braço entre Prefeitura e construtoras não terá final fácil - enquanto o governo diz que o projeto sai em quatro anos, sem mudanças nas regras, as empresas dizem que não vão mais investir.

Ao lado de estações de trem, de terminais de ônibus e da Pinacoteca do Estado, a área degradada de 362 mil m² permanece há duas décadas ocupada por viciados e moradores de rua. A proposta de revitalização, de 2005, prevê R$ 2 bilhões de investimentos para um bairro bem servido de infraestrutura, mas com espaços vazios ou que podem ser recuperados.



O empecilho à reocupação dessas ruas, segundo as incorporadoras, está delimitado no Plano Diretor Estratégico de 2002 como Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis). Dentro da Nova Luz, um quarto da área é formado por Zeis-3, cuja ocupação deve obedecer à proporção de 40% para habitações de interesse social (para famílias com renda de até 5 salários mínimos) e de 40% de imóveis de mercado popular, para famílias com renda de até 16 salários. Só 20% da área fica de uso livre.

O mapa da área de concessão indica que o "miolo" do polígono - que inclui as Avenidas Rio Branco, Ipiranga e Duque de Caxias e as Ruas Mauá e Cásper Líbero - é todo formado por uma Zeis-3. No local, o governo tem como diretriz para o futuro concessionário a construção de até mil habitações populares - dois terrenos, totalizando 15 mil m², já foram desapropriados para essa finalidade nas Ruas Aurora e Vitória. Mas os empresários ligados ao sindicato da habitação (Secovi) consideram que esse número de habitações para famílias de baixa renda deveria ser pulverizado - e não concentrado em um único espaço, o que poderia minar o interesse da classe média em morar no centro.

"A Nova Luz foi pensada para irradiar um novo modelo de crescimento na cidade, com a mistura de usos numa mesma região. O modelo que está proposto não interessa ao mercado. O nosso projeto foi feito pelo Jaime Lerner, que não vai mais participar da concorrência", afirma Cláudio Bernardes, vice-presidente do Secovi.

Ele ainda refuta as críticas de urbanistas, de que o mercado não quer construir moradias populares com pequena margem de lucro. "Queremos construir, mas de forma pulverizada. Não podemos criar um Cingapura dentro de um espaço que pretende ser modelo de requalificação no País."

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Secretário Sayad comenta a opção pelos arquitetos Herzog & De Meuron

Fonte: Arcoweb

Consolidar a Luz, região central de São Paulo, como o mais importante polo cultural da América Latina é a intenção da Secretaria da Cultura, e o Complexo Cultural Teatro de Dança, a ser construído na área da antiga rodoviária, é uma peça importante nesse processo. Essa é a avaliação do secretário da Cultura João Sayad, que explicou a PROJETO DESIGN por que o projeto de Herzog & De Meuron foi escolhido.

Quando a secretaria pensou no teatro de dança, já havia a ideia de implantá-lo na área da antiga rodoviária?
Primeiro pensamos na sede da companhia e no teatro. Procuramos um local e, depois de várias propostas, chegamos a este, uma área deteriorada, em frente da Sala São Paulo. A praça Júlio Prestes está mal aproveitada e éramos cobrados pelo governador para reformá-la. Numa etapa inicial, no primeiro semestre do ano passado, trabalhamos com especialistas do escritório TPC Theatre Projects Consultants, durante cerca de quatro meses, para a definição do programa. Terminada esssa fase, escolhemos conversar com arquitetos de notória especialização: Foster, Koolhaas, Pelli e Herzog & De Meuron. Pareceu-nos que eles tinham mais capacidade de negociação para que o projeto custasse pouco em vista da nossa preocupação primordial, que era a qualidade técnica e cenográfica, em termos de dimensões adequadas de palco, plateia e condições de acústica, em um espaço para dança e ópera. Teremos um teatro de excelência.

Os escritórios foram sugeridos pela TPC?
Conversamos sobre eles e sobre outros que acreditávamos que não topariam vir para o Brasil. Alguns foram convidados para conversar e nem vieram, outros eram excelentes mas apresentavam determinadas exigências técnicas, e outros ainda tinham personalidade profissional difícil para realizar a negociação. Chegamos então a Herzog & De Meuron. O fato de ser um escritório estrangeiro era porque buscávamos arquitetos de notória especialização e não queríamos promover um concurso. Dos notáveis brasileiros, [Paulo] Mendes da Rocha e [Oscar] Niemeyer, por exemplo, já têm bastantes projetos no Brasil. Também imaginamos que, como Secretaria da Cultura, seria uma contribuição positiva para a arquitetura trazer um profissional estrangeiro. E os suíços mostravam algumas características importantes para nós.

Quais são essas características?
O grande interesse deles em fazer um projeto na América Latina, especialmente no Brasil, a disponibilidade de tempo, em comparação com outros escritórios, além da intenção de investir no país. Analisando seu portfólio, percebemos que cada projeto é único. É difícil apontar um edifício e dizer com certeza que é de Herzog & De Meuron. Olhando com olhos de leigo, como são os meus, é possível perceber quais são de Koolhaas, quais são de Foster ou de Pelli - espero que eles não leiam sua revista -, mas não quais são de Herzog & De Meuron. Principalmente porque eles investem muito na concepção do material, na fachada e na adaptabilidade do projeto ao local.

Quando eles foram contratados?
Em julho do ano passado. Desde então, já vieram a São Paulo várias vezes, visitaram a cidade e apresentaram o projeto básico. Mas, como suíços cuidadosos que são, dizem que é a proposta básica e preliminar. Eles gostariam de apresentar o projeto em outubro, mas estamos tentando nos antecipar e fazer com que isso ocorra na próxima bienal de arquitetura.

Divulgadas novidades sobre a Cia. de Ópera

Reportagem publicada pela Arcoweb apresentou alguns detalhes do conceito do edifício sede da Companhia de Ópera e Dança, planejado para ser construído na Praça Julio Prestes em local oposto à Sala São Paulo. Foram divulgadas também novas imagens de como ficará a área externa e o desenho interno da sala principal.

Este ambicioso projeto caminha lado a lado com nossa proposta de transformação da Praça Julio Prestes em Praça dos Museus. Seria um importante segundo passo (considerando-se a Sala São Paulo como o primeiro) para a transformação da região. Na sequencia à construção deste imponente edifício, poderia ser executado o prédio para a sede do MAE na área que sugerimos atualmente já desapropriada pela Prefeitura na chamada "Nova Luz". Quem sabe...

Para maiores detalhes desse projeto, clique no menu "principais informações" à esquerda em "A Praça dos Museus na Luz".


Lâminas entrelaçadas dão forma ao teatro de dança

A balança do bairro da Luz, que às vezes pende com estardalhaço para a Cracolândia - região degradada pela venda e consumo de drogas em pleno centro de São Paulo -, pode ganhar mais um contrapeso caso se concretize a intenção da Secretaria da Cultura estadual de implantar o Complexo Cultural Teatro de Dança no terreno onde funcionou durante anos a principal rodoviária paulistana. Projetado pelos suíços Jacques Herzog e Pierre de Meuron, ele vai somar esforços com o Museu da Língua Portuguesa, de Paulo Mendes da Rocha, e a Sala São Paulo, de Nelson Dupré, na proposta de fazer da cultura um dos focos de estímulo para a revitalização da área.

No início de julho foi divulgado o estudo preliminar preparado pelo escritório Herzog & De Meuron, contratado pela secretaria. Apenas uma praça vai separar o edifício da Estação Júlio Prestes - projetado por Christiano Stockler das Neves e no qual há dez anos Dupré inseriu a Sala São Paulo - do complexo cultural que, segundo a secretaria, vai colocar São Paulo definitivamente na rota dos grandes projetos de arquitetura internacional.

Segundo o órgão paulista, a convocação de Herzog & De Meuron, contratado por notória especialização, entre outros motivos, ocorreu depois de a empresa inglesa TPC Theatre Projects Consultants, também a convite da secretaria, ter definido o perfil do futuro complexo e detalhado o programa de cada item. Seus técnicos estudaram e analisaram a cidade para dimensionar um teatro de características únicas.


A partir desse estudo, a secretaria selecionou escritórios internacionais de arquitetos que poderiam se interessar em desenvolver o projeto: o inglês Norman Foster, o argentino radicado nos EUA Cesar Pelli, o holandês Rem Koolhaas e a dupla suíça. “Queríamos provocar um escândalo na arquitetura brasileira. No bom sentido”, provoca o secretário da Cultura, João Sayad. Mesmo detentores do Pritzker, Oscar Niemeyer e Mendes da Rocha foram descartados, segundo Sayad, por já terem outros projetos na cidade. Na avaliação do secretário, a arquitetura de Foster, Pelli e Koolhaas torna seus projetos facilmente reconhecíveis em qualquer parte do mundo, enquanto a de Herzog & De Meuron revela-se sempre inovadora, invulgar.

A decisão provocou, se não escândalo, pelo menos um choque no meio arquitetônico paulista. De um lado, alguns defenderam a contratação dos suíços, pelos antecedentes de sua admirada arquitetura. Outros, contrariados, contestaram não o trabalho dos arquitetos escolhidos, mas a forma de escolha, argumentando que seria mais justa a realização de um concurso internacional.

Com o caderno do estudo preliminar do TPC nas mãos, Sayad aponta, bem-humorado, a planta de uma das salas e diz: “Aqui vai ficar o camarote do secretário”. Para chegar a ele, Sayad - ou seu eventual sucessor - terá apenas que atravessar a praça Júlio Prestes (a sede da secretaria fica no edifício que também abriga a Sala São Paulo) e percorrer a rampa que demarca a entrada principal do complexo. A partir do lobby, poderá se dirigir a um das dezenas de ambientes, que se distribuirão por aproximadamente 95 mil metros quadrados de área construída. Entre outros, o conjunto contará com três teatros: um para dança e ópera, com 1.750 lugares; outro destinado a teatro e recitais, para 600 espectadores; e uma sala experimental, de 450 lugares.

O conceito intrínseco ao projeto de Herzog & De Meuron foi mesclar e combinar o máximo de atividades possível, transpondo para o edifício a dinâmica da metrópole paulistana. O conjunto possui quatro pavimentos (e altura média de 23 metros), dos quais não se consegue fazer uma leitura externa linear nem definir uma hierarquia entre as fachadas. Uma abordagem possível é a de uma praça suspensa, composta por um jogo de lâminas entrelaçadas nos dois sentidos, que se integra às áreas verdes que a dupla propõe para o entorno.

A quadra abrangida pela intervenção é formada pela praça Júlio Prestes e trechos da rua Helvétia e das avenidas Rio Branco e Duque de Caxias. “Nosso objetivo é criar um espaço cultural bem localizado e de fácil acesso à população, próximo das linhas de metrô e trem. São Paulo merece um grande marco arquitetônico e esse complexo desempenhará tal papel”, avalia Sayad.

Os recursos estimados pelo Estado para a construção do complexo são de 300 milhões de reais, parte dos quais se pretende obter por meio de financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Herzog & De Meuron devem receber por seu trabalho cerca de 8,5% desse total, o que representa quase 26 milhões. A secretaria prevê que a licitação para dar início à obra seja realizada no segundo semestre de 2010.

Teatro de Ópera e Dança - térreo

Teatro de Ópera e Dança - 1º balcão

Sala experimental

Teatro de Ópera e Dança - corte longitudinal

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Adiada concorrência para a Nova Luz

Estadão, 8 de outubro de 2009

A concorrência para a escolha do consórcio internacional que responderá pelo projeto de revitalização da Nova Luz (cracolândia), que deveria terminar amanhã, será prorrogada por até duas semanas por determinação do Tribunal de Contas do Município (TCM). Quinze consórcios brasileiros e internacionais - um deles inglês - demonstraram interesse no projeto desde que o edital foi aberto, em 6 de agosto. A previsão era selecionar o vencedor em 45 dias. Segundo a Prefeitura, o TCM solicitou "esclarecimentos técnicos".

domingo, 20 de setembro de 2009

Escola técnica será aberta na região da cracolândia, em São Paulo

O governo de São Paulo vai construir a sede do Centro Paula Souza (entidade responsável pelas escolas técnicas e pelas faculdades de tecnologia estaduais) e escolas de níveis médio e técnico e de idiomas na região da cracolândia, no centro de São Paulo, segundo reportagem de Ricardo Westin publicada neste sábado na Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

Perspectiva da integração do prédio com a vizinhança

De acordo com o texto, o governo abre hoje uma concorrência pública para contratar a construtora que transformará um quarteirão degradado da cracolândia num moderno e movimentado complexo de edifícios. No total, haverá três edifícios.

A transferência do Centro Paula Souza, hoje no Bom Retiro, foi articulada entre o Estado e a prefeitura. A ideia é que a presença de alunos (serão 3.240) e funcionários (400) durante o dia e à noite deixe a região mais segura, atraindo escritórios, estabelecimentos comerciais e prédios residenciais. Pelos cálculos do governo, o projeto custará até R$ 57,7 milhões.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Críticas a este projeto e respostas

Desde que iniciei este blog, procurei divulgar a idéia em comunidades relacionadas ao tema no orkut. Houve reações positivas e negativas à proposta. Inicio aqui a apresentação das críticas e respostas que pensei a algumas delas.

1. Não há um problema de acesso do grande público ao câmpus Butantã da USP;
2. Em 2010 o Metrô estará "na esquina" da USP.

O que penso a respeito:

Há, sim, um problema para o grande público acessar museus dentro da USP e isso pode ser medido claramente pelo baixo acesso que instituições como o MAC, o Museu de Geologia, o Museu de Oceanografia e o MAE tem - apesar de alguns desses serem verdadeiros pontos-chave sempre procurados por professores e suas turmas (caso do MAE, por exemplo). A questão é: para se ir a esses museus, há as seguintes opções:

a. ônibus fretado (utilizado pelas excursões escolares e possível de ser utilizado no caso da Praça dos Museus ir para a região da Luz), agora com uma série de restrições de circulação;

b. ônibus de linha (há linhas que saem de todos os cantos da cidade e vão à USP, mas os ônibus estão em geral lotados, demoram muito a chegar e, como todas as linhas em São Paulo, são uma péssima escolha - veja-se o índice de aprovação desta modalidade de transporte; outra questão: as linhas não entram na USP no período entre a tarde de sábado e a manhã de segunda-feira, bem como durante os feriados, principais momentos para o lazer e visitação a museus);

c. automóvel (exceto a distância a ser percorrida por quem não mora na Zona Oeste e a barreira aos "sem-carteirinha" - que poderia facilmente ser abolida - nada vai contra este modo de transporte, fora todos os arquitetos, urbanistas e engenheiros de tráfego do planeta);

d. trem - CPTM (a distância entre a estação Cidade Universitária e o ponto do ônibus Circular é de aproximadamente 800 metros. Neste percurso, inclui-se a travessia de duas alças de acesso à Marginal Pinheiros e uma ponte. Detalhe: os Circulares são cheios e demorados);

e. metrô (a estação Butantã da Linha 4 estará a uma distância de aproximadamente 1,2 km do ponto do Circular. Neste percurso, inclui-se a travessia de cruzamentos sem faixa de pedestre).

Tendo isso em vista, continuo considerando o acesso via transporte público muito melhor na região da Nova Luz. Lá, há incontáveis linhas de ônibus, uma estação de trem "na porta" (estação Julio Prestes), outra a iguais 500m (estação da Luz) e ainda uma estação-entroncamento do metrô (750m). Além destas opções, ainda há o estacionamento para 600 veículos na Sala São Paulo.

sábado, 12 de setembro de 2009

Catálogo: Praça dos Museus na USP

Do blog do designer gráfico Rodrigo Sommer, retiro algumas imagens do catálogo da Prala dos Museus na USP: "Criar uma apresentação dinâmica e visualmente atraente para divulgar o projeto Praça dos Museus na USP em reuniões com possíveis patrocinadores. Este era o objetivo deste catálogo, alcançado com a utilização de uma ampla seleção de imagens do projeto arquitetônico e do acervo de cada museu envolvido para dar vida às informações técnicas apresentadas."

quinta-feira, 9 de julho de 2009

A Praça dos Museus de Amsterdã

Procurando por outras Praças dos Museus do mundo, cheguei a esta notícia publicada na Veja em 1999 em que apresenta a revitalização da Museumplein, de Amsterdã.

-x-

Plástica radical
A praça dos museus de Amsterdã ganha feições monumentais depois de uma reforma urbanística

Anton Berden, de Amsterdã

A Museumplein, a praça dos museus de Amsterdã, ganhou cara nova depois de uma cirurgia urbanística radical que custou 24,8 milhões de reais.

De imenso estacionamento para ônibus de turismo, tornou-se cartão-postal da cidade. Endereço dos três maiores museus da Holanda – o Rijksmuseum, o Museu Van Gogh e o Stedelijk –, além da Orquestra Concertgebouw, a Museumplein agora é um complexo ajardinado com restaurantes, lojas e até um lago artificial, que, no inverno, se converte em pista de patinação no gelo. Os ônibus de turismo foram engolidos por uma gigantesca garagem subterrânea.


Vista aérea de Museumplein, a Praça dos Museus de Amsterdã

O autor da proeza é o arquiteto sueco Sven-Ingvar Andersson, que nos anos 80 projetou em Paris o espaço do Grande Arche, no bairro modernoso de La Défense. Para a praça holandesa, Andersson criou uma ampla área livre, coberta por grama e saibro. "A Museumplein é como se fosse o olho de um furacão. Seu centro é tranqüilo, mas em torno dela há uma agitação contínua", diz ele. A recauchutagem da praça é complementada por importantes reformas estruturais nos museus ali localizados.

Fechado desde setembro do ano passado [1998], o Museu Van Gogh, que reúne 200 telas e 500 desenhos do artista, reabre nesta quinta-feira com uma novidade: o pavilhão de exposições assinado pelo arquiteto japonês Kisho Kurokawa. Com a forma de uma meia-lua revestida de titânio, pedra e vidro, o prédio é um primor de arquitetura, consciência ecológica e adequação museológica. Suas curvas contrastam sutilmente com as retas da sede principal do museu, projetada pelo modernista Gerrit Thomas Rietveld. Fotossensível, o telhado de vidro do pavilhão joga com a intensidade dos raios de sol, o que permite economizar energia em determinadas horas e também ajustar a iluminação para a perfeita visão das obras de arte. Toda essa sofisticação saiu por 29 milhões de reais.


O novo Museu Van Gogh

O próximo canteiro de obras da Museumplein será o Stedelijk Museum, dedicado à arte moderna e contemporânea. Projetada pelo arquiteto português Álvaro Siza Vieira, a reforma de 45,6 milhões de reais deve começar em outubro. A reformulação da Museumplein e das instituições que a compõem iniciou-se em 1988, a partir da faxina na sede da Royal Concertgebouw, uma das mais prestigiadas orquestras do mundo. Há dois anos, o Rijksmuseum, célebre por suas telas de Rembrandt e Vermeer, ganhou uma outra ala de exposições. A nova praça não está agradando apenas aos turistas e entusiastas das artes – as minorias étnicas, políticas e sexuais da capital holandesa já a transformaram em epicentro de suas barulhentas manifestações.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Praça dos Museus: um projeto para a Prefeitura e o Governo do Estado

Continuo hoje a discussão de ontem sobre o papel da Praça dos Museus na ampliação do potencial turístico de São Paulo e sua vinculação com a Copa 2014.
Este projeto da Praça dos Museus na região da Nova Luz que aqui apresento, se executado, exige uma profunda integração entre o governo do Estado e a Prefeitura. Por quê?

Há uma questão de logística importante a ser equacionada para a construção da Praça dos Museus, em especial no tocante aos terrenos e à urbanização do local - e é neste ponto que entra a participação do governo municipal. Por um lado, o terreno que propusemos para a construção da nova sede para o MAE já está inserido na área delimitada do projeto "Nova Luz" e, portanto sua desapropriação deixa de ser um grande problema jurídico. Ou seja, seria uma transferência de terreno municipal para autarquia estadual.

Por outro lado, os terrenos ao lado da Estação Julio Prestes, nos quais propusemos a construção do Museu de História Natural, estão fora da área da Nova Luz. O Governo do Estado poderia declará-los de utilidade pública, mas seria uma excelente contribuição da Prefeitura ao orçamento geral da obra e uma facilidade logística inserí-los na "Nova Luz", pois todo o trâmite jurídico já decorreu.

Já o Governo do Estado, responsável pela USP - de quem são todas as instituições propostas para a Praça dos Museus - teria como incumbência incluir em seu orçamento os recursos para a construção dos novos edifícios (recursos extraordinários, tendo em vista que o orçamento anual da USP não comporta um aporte tão grande de dinheiro). Para essas obras, poderiam e deveriam também contar com aportes da iniciativa privada através da Lei Rouanet.

Resumindo a questão: a construção da Praça dos Museus não é algo exatamente simples na questão logística, mas também é bastante viável na questão financeira, bastando apenas o interesse político na questão.

Quem ficaria responsável por o quê?

Prefeitura - declarar os terrenos como de utilidade pública e repassá-los ao patrimônio da USP
Governo do Estado - construir os novos edifícios para os museus de sua maior Universidade
Iniciativa privada - contribuir com recursos para a construção dos prédios, ampliação e adaptação dos acervos a partir das leis de incentivo à cultura.